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sexta-feira, 24 de julho de 2009

Cinema - Stanley Kubrick

Com uma bagagem de 13 filmes e 3 curtas metragens, o diretor Stanley Kubrick levou com excelência a sua missão de, através das telas de cinema, provocar o público com diferentes sensações usando imagens e sons. Kubrick demonstrou destreza ao transformar o que antes era um simples roteiro em uma verdadeira obra de arte.

Seja por sua incursão na fotografia desde novo, ou apenas uma aptidão nata, seus filmes tem aquilo que se pode chamar de particularidade. Um filme do Kubrick é um filme cuja fotografia não nega seu diretor e, levando em conta que geralmente há um diretor de fotografia envolvido, temos uma particularidade também se tratando da personalidade de Kubrick, conhecido por fazer as coisas à sua maneira. Talvez essas tão importantes particularidades tenham o tornado um diretor amado, até odiado, mas acima de tudo elogiado.

Fascinado por explorar o psicológico humano, o fez com um brilhantismo impressionante. Muitos de seus filmes retratam um personagem que sofre um processo de desintegração psicológica que muitas vezes o leva à loucura.


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terça-feira, 21 de abril de 2009

O retrato de Madonna.


Me lembro como se fosse hoje a primeira vez que a vi. Madonna, assim que foi-me apresentada. Foi um certo choque quando vi sua imagem, achei-a linda e intrigante, sim uma intrigante jovem,sensual, nua, `levemente grávida` e com sua áurea vermelha. Sua áurea vermelha foi o que mais me intrigou. Vermelha de quê ? De sangue ? De paixão ? Eu fico com a paixão, pois é paixão que passei a sentir por Ela. Minha paixão é tamanha que quis Ela somente pra mim. Decidi que iria reproduzi-la, me dedicaria arduamente até ter Madonna somente minha, para sempre, nua no meu quarto, uma verdadeira musa com toda sensualidade permitida a uma musa e com sua áurea. Ah, a áurea vermelha de paixão. Minha paixão.

Adorava admirá-la, conversava com Ela, que sempre mantinha sua expressão serena. Às vezes parecia que ia sorrir, ou então abrir os olhos, uma vez achei que fosse bocejar, mas no fim quem bocejou fui eu. Não adiantava, Ela sempre se mantinha delicadamente intacta.

Certo dia porém, quanto fui admirá-la, Ela havia mudado. Olhei novamente, não conseguia acreditar no que via, sua áurea estava amarela e radiante. Sua nudez havia desaparecido sobre um manto azul, sua juventude e sua expressão serena tinham desaparecido e dado lugar a imagem de uma senhora com uma expressão séria. Eu não queria aquela senhora de áurea amarela. Era uma senhora com uma expressão de alguém que espera para ser adorada. Não queria adorar-lá. Queria a minha Madonna de volta, com sua juventude e sua áurea ardente.

Madonna não voltava por mais que minhas lágrimas implorassem. Aquela senhora insistia em não ir embora e ainda cismava em me olhar com ternura, complacência, como quem mal sabe que é o próprio teor da minha ângustia. Não podia ser dessa forma, eu amava Madonna, adorava seu corpo, seus seios a mostra, sua expressão, tinha que fazê-la voltar pra mim. Peguei desesperadamente meus pincéis, minha tinta vermelha e tentei modificar sua áurea, mas por mais determinado que eu estivesse, não adiantava aquela áurea amarela não desaparecia . Foi então que num impulso senti uma dor lancinante, logo depois parei de sentir qualquer coisa que não fosse a vontade de rever minha amada. Ah, minha amada cuja áurea era de uma cor viva e intensa, uma cor de sangue, um sangue que jorrava do meu pulso esquerdo, com um pincel fiz com que aquela áurea voltasse a ser vermelha e que aquela teimosa senhora de manto azul voltasse a ser Ela, minha jovem nua e provocante, Madonna. Pintei euforicamente enquanto a tinta escorria no meu braço e gotejava no chão. Pintava cada vez mais enquanto notava que a imagem de minha adorada Madonna voltava. Quando enfim consegui tê-la de volta, completamente nua e vermelha, já estava tonto, minha vista escureceu e cai sobre Ela. Caimos, nós dois no chão, sobre um sangue vermelho de paixão.

Não podia enxergar mais nada mas pude sentir que estava com a cabeça sobre seus seios, pude sentir sua pele, seus cabelos, seu cheiro. Ah sim, pude sentir seu cheiro. Sentia que ela me segurava em seus braços, me acariciava, e então uma última imagem veio a mim, pude enfim ver seus lindos olhos negros, uma lágrima jorrava deles. Senti seus olhos fixados nos meus, nunca havia sentido tão intensamente a vida. E assim tão rápido a tive, tão rápido seus olhos estiveram em mim, até que Ela os fechou. Para sempre.

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domingo, 8 de março de 2009

Um pouco de expressionismo.

Antes de tudo, devo lembrar que este artigo foi escrito por um 'pintor de domingo'. Vou me arriscar a falar de um movimento que me chamou muito a atenção logo que comecei a pintar.


O movimento expressionista surge como uma ruptura do movimento impressionista. Começa com algo que podemos chamar de pós-impressionismo, que vemos nos quadros do Van Gogh. Ainda é uma reprodução da realidade, mas sem a fidelidade de imagem e cores do romantismo e do impressionismo. As cores deixam de ser tão fiéis à realidade, os traços distorcidos passam a valorizar e projetar a expressão.
O pós-impressionismo evolui para o que chamamos de expressionismo. Neste, os quadros passam a abordar temas pesados como o sofrimento e a angústia humana. Utiliza-se uma imagem visual que nos remete a uma realidade interior.

Um dos grandes nomes deste movimento é Edward Munch, autor do quadro que podemos considerar o ícone do movimento, `Skrik` (noruegues) ou `O grito`(1893). Nele podemos ver claramente as características básicas do movimento como cores fortes, sem necessariamente condizer com a realidade, e distorções nas imagens ampliando a expressão do personagem.

Uma outra grande obra do Munch, que eu particularmente adoro é `Puberdade`. Neste quadro, a expressão da garota fala por ele. Timidez, repressão, vergonha, uma sombra exagerada... Entretanto, na minha opinão, a grande obra de Munch é a Madonna. Sobre ela vou dedicar um post completo.


No Brasil, o movimento expressionista comeca com Lasar Segall, pintor e escultor lituano que apresentou pela primeira vez a arte expressionista no território brasileiro, em 1913, numa exposicão individual em São Paulo e em Campinas. Ninguém entendeu o que ele fez ! Nem a crítica, muito menos o publico. Coube a Anita Malfatti que já conhecia o expressionismo das suas viagens de estudo à Alemanha e Estados Unidos, despertar para o público essa novidade na expressão artística na sua segunda exposição individual, em 1917. Sua obra foi recebida inicialmente pela crítica com grande desconfiança. Com um forte colorido e contrariando totalmente a pintura acadêmica, ela gerou acirradas discussões e controvérsias.
Em 14 de dezembro, o Correio Paulistano num trecho comentava:

"A exposição da senhorita Malfatti, toda ela de pintura moderna, apresenta um aspecto original e bizarro, desde a disposição dos quadros aos motivos tratados em cada um deles."

Nesta época Monteiro Lobato, famoso pelo seu conservadorismo e preconceito, lançou na imprensa uma crônica intitulada `A propósito da exposição Malfatti`. Nela o escritor comparava a pintura de Anita à dos loucos ou mistificadores.

"Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêem normalmente as coisas e em consequência disso fazem arte pura... Se Anita retrata uma senhora com cabelos geometricamente verdes e amarelos, ela se deixou influenciar pela extravagância de Picasso e companhia - a tal chamada arte moderna..".

Foi bastante cruel com a jovem pintora, mas sem querer provocou a reação de jovens intelectuais em defesa de Anita e o nascimento do movimento modernista no Brasil. Nesta época, por volta de 1910, o movimento cubista começava a nascer. No quadro de Anita ao lado `A mulher de cabelos verdes` podemos observar, além de alguns aspectos expressionistas, uma grande influência do cubismo.

E o expressionismo não ficou somente nas telas, atingiu o cinema, teatro, arquitetura, música e literatura. Na literatura podemos observar a influência do expressionismo nas obras de Kafka, 'A metamorfose' é um exemplo. No cinema temos como exemplo o filme Nosferatu, a Symphony of Horror (1922).



Referencias:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Lasar_Segall
http://pt.wikipedia.org/wiki/Expressionismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Anita_Malfatti

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